Um deepfake pode parecer verdadeiro à primeira vista. A imagem tem rosto conhecido, a voz soa convincente, o cenário parece real e a mensagem chega com aparência de urgência. O problema é que vídeos, áudios e imagens manipulados por inteligência artificial já são usados em golpes digitais para convencer pessoas a clicar, se cadastrar, fazer Pix ou comprar produtos falsos.
A Anatel lançou a campanha “Parece real, mas pode ser golpe” para alertar sobre fraudes que usam vídeos, áudios e imagens manipuladas. Segundo a agência, os deepfakes conseguem imitar, com alto grau de realismo, vozes, rostos e comportamentos de pessoas conhecidas e personalidades públicas, com o objetivo de obter dados pessoais ou causar prejuízos financeiros.
Por que o deepfake parece verdadeiro
O golpe com deepfake funciona porque explora confiança. Quando a pessoa vê um famoso, uma autoridade, um jornalista, um influenciador ou até um familiar em vídeo, tende a acreditar mais rápido. Golpistas sabem disso e usam a imagem de pessoas conhecidas para vender produtos, divulgar supostos investimentos, pedir doações, oferecer benefícios falsos ou induzir pagamentos.
O Serpro também alerta que a IA generativa e os deepfakes estão pressionando a confiança digital, porque as fraudes ficaram mais sofisticadas e exigem combinação de tecnologia, curadoria humana e atenção do usuário.
Como conferir um deepfake antes de compartilhar
Antes de compartilhar um vídeo, clicar em link ou fazer qualquer pagamento, faça uma checagem simples:
- procure o conteúdo no perfil oficial da pessoa ou instituição citada;
- veja se veículos confiáveis publicaram a mesma informação;
- desconfie de anúncio com promessa de ganho rápido;
- evite links de cadastro fora do canal oficial;
- observe se há cortes estranhos, voz artificial ou fala fora de sincronia;
- confira se o perfil que publicou o vídeo é antigo e confiável;
- não pague taxa para liberar benefício, saque ou investimento;
- não informe CPF, senha, código ou dados bancários.
A regra vale também para áudio falso. Um deepfake pode aparecer em vídeo, chamada, propaganda, postagem patrocinada ou mensagem encaminhada.
Sinais de golpe com deepfake
Alguns sinais merecem atenção imediata:
- famoso prometendo dinheiro fácil;
- vídeo dizendo que a oferta vale “só hoje”;
- pedido de Pix, taxa ou cadastro;
- link encurtado ou página desconhecida;
- comentários bloqueados;
- perfil recém-criado;
- uso de voz emocional ou urgente;
- promessa de benefício sem confirmação oficial;
- propaganda com antes e depois exagerado;
- pedido para compartilhar rapidamente.
Nem todo deepfake tem falhas visíveis. Por isso, a checagem não pode depender apenas do olhar. A confirmação precisa vir de canais oficiais.
Deepfake também pode espalhar desinformação
Além dos golpes financeiros, o deepfake pode ser usado para espalhar boatos, manipular falas e confundir o público. A Anatel destaca que esse tipo de fraude também aparece em notícias falsas, postagens enganosas em redes sociais e ligações fraudulentas em nome de bancos, empresas ou órgãos públicos.
Quando um conteúdo mexe com medo, raiva, pressa ou promessa de vantagem, vale pausar antes de compartilhar. O impulso ajuda o golpe a circular.
Caiu em golpe com deepfake: o que fazer
Se você clicou em um link, informou dados ou fez pagamento depois de ver um vídeo manipulado, aja rápido. Salve prints, link da página, perfil que publicou o conteúdo, comprovante de pagamento e mensagens recebidas.
Depois, acione seu banco, troque senhas se necessário e registre boletim de ocorrência. Também denuncie o vídeo, anúncio ou perfil na plataforma onde ele foi publicado.
Antes de compartilhar, confira
Deepfake não é apenas vídeo falso. É o uso da confiança para acelerar uma decisão. Se o conteúdo envolve dinheiro, cadastro, senha, Pix, link ou promessa fácil, desconfie e pare.
Antes de compartilhar, confira. Antes de pagar, confirme pelo canal oficial.