Clonar voz ia e imagem em tempo real; veja como se proteger
Criminosos usam inteligência artificial para clonar voz e imagem durante chamadas em tempo real. Veja como funciona o golpe e como se proteger.

Clonar voz ia e imagem em tempo real
Reportagem do Bom Dia DF mostra que criminosos podem imitar pessoas conhecidas e interagir durante chamadas para pedir dinheiro ou obter dados.
Uma ligação com o rosto e a voz de uma pessoa conhecida já não deve ser considerada prova suficiente de identidade. Criminosos estão usando inteligência artificial para clonar voz e imagem em tempo real durante chamadas, tornando pedidos falsos de dinheiro mais convincentes.
O risco foi apresentado em uma reportagem do Bom Dia DF publicada pelo g1 em 6 de agosto de 2026. A matéria mostra como a tecnologia pode ser usada para simular uma pessoa durante uma conversa e induzir a vítima a acreditar que está diante de um familiar, amigo ou conhecido.
O principal cuidado é simples: diante de qualquer pedido de dinheiro, código ou informação pessoal, interrompa a conversa e confirme a identidade por outro canal.
Como funciona o golpe com voz e imagem clonadas
O criminoso utiliza ferramentas de inteligência artificial para modificar a própria voz e a imagem exibida durante uma chamada. Dessa forma, pode aparentar ser outra pessoa e conversar com a vítima em tempo real.
Durante a abordagem, o golpista pode dizer que está enfrentando uma emergência, que perdeu o acesso à conta bancária ou que precisa de uma transferência imediata. A aparência familiar e a interação durante a ligação reduzem a desconfiança.
A tentativa também pode envolver pedidos de Pix , compartilhamento de códigos de autenticação, envio de documentos ou acesso a contas digitais.
Por que a vítima pode acreditar
Golpes desse tipo exploram dois elementos importantes: confiança e pressa. A vítima reconhece o rosto ou a voz e, ao mesmo tempo, recebe uma história que exige uma decisão rápida.
A Anatel alerta que vídeos, áudios e imagens manipulados por inteligência artificial podem imitar vozes, rostos e comportamentos. A orientação é desconfiar, evitar o envio de informações sem confirmação e procurar os canais oficiais.
O golpe não depende apenas da qualidade da tecnologia. Informações pessoais publicadas nas redes sociais ou obtidas em vazamentos podem ajudar o criminoso a construir uma história mais convincente.
Sinais de alerta
- Pedido urgente de Pix, empréstimo ou pagamento de uma conta.
- Solicitação para não desligar ou não falar com outras pessoas.
- Pedido de senha, código de confirmação, token ou documento.
- Mudança repentina de número de telefone ou conta bancária.
- Respostas vagas quando são feitas perguntas pessoais específicas.
- Imagem instável, movimentos incomuns ou voz com pequenas falhas.
- Pressão para decidir antes de verificar a história.
Falhas visuais ou de áudio podem aparecer, mas não devem ser o único critério. A tecnologia evolui e uma chamada aparentemente normal também pode ser falsa.
Como confirmar a identidade durante uma chamada
Ao receber um pedido financeiro, desligue e procure a pessoa pelo número que você já tinha salvo. Não utilize o telefone informado durante a conversa suspeita.
- Faça uma nova ligação para o contato conhecido da pessoa.
- Confirme a história com outro familiar ou alguém próximo.
- Faça uma pergunta cuja resposta não esteja disponível nas redes sociais.
- Use uma palavra de segurança combinada previamente com a família.
- Não faça transferências enquanto estiver sob pressão.
A palavra de segurança deve ser conhecida apenas pelas pessoas envolvidas.
Evite nomes, aniversários, apelidos públicos ou outras informações fáceis de descobrir.
O que fazer se você transferiu dinheiro
Entre em contato imediatamente com o banco pelos canais oficiais e informe que houve uma fraude. Peça o registro da contestação e guarde o número do protocolo.
No caso de uma transferência via Pix, solicite ao banco a análise do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED. O pedido não garante a recuperação do valor, mas pode permitir a análise e o bloqueio de recursos ainda disponíveis na conta recebedora.
Consulte também nosso guia: o que fazer depois de cair em um golpe digital.
Preserve as provas da fraude, incluindo:
- capturas de tela da conversa;
- número de telefone utilizado;
- comprovante da transferência;
- dados da conta recebedora;
- horário e duração da chamada;
- arquivos de áudio, vídeo ou mensagens recebidas.
Depois, registre um boletim de ocorrência. No Distrito Federal, consulte a Delegacia Eletrônica da Polícia Civil do Distrito Federal. Moradores de outros estados devem procurar a delegacia virtual da respectiva
Polícia Civil.
Como se proteger
- Evite publicar rotinas, viagens e informações familiares em perfis abertos.
- Ative a verificação em duas etapas nos aplicativos e contas digitais.
- Nunca informe senhas, tokens ou códigos recebidos por SMS.
- Configure limites de transferência compatíveis com sua rotina.
- Converse com familiares, especialmente idosos, sobre chamadas falsas.
- Confirme qualquer pedido financeiro por um segundo canal.
O Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de
Governo também orienta a desconfiar de ligações com urgência, pedidos de dados,
instalação de aplicativos e transferências imediatas.
Para ampliar a proteção da família, veja ainda: como identificar uma mensagem falsa no WhatsApp.
Antes de clicar, confira
Voz, rosto e videochamada já podem ser manipulados. Por isso, não tome uma decisão financeira apenas porque a pessoa parece conhecida.
Desligue, retorne pelo número habitual e confirme com alguém de confiança.
Um minuto de verificação pode evitar um prejuízo.
Golpe vive da pressa. Segurança começa com a pausa.



