Golpe do falso pacote de viagem: Mulher é presa no Rio após clientes pagarem por Pix
Golpe do falso pacote de viagem usava empresa formalmente constituída e redes sociais para oferecer passagens e hospedagens que, segundo a polícia, não eram contratadas

O golpe do falso pacote de viagem levou à prisão de uma mulher de 41 anos no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira, 24 de agosto. Segundo a Polícia Civil, ela é investigada por vender pacotes de viagens nacionais e internacionais, receber os pagamentos dos clientes por Pix e não providenciar passagens, hospedagens e reservas prometidas.
A investigação foi conduzida pela 41ª DP, Tanque. De acordo com a polícia, uma empresa de turismo formalmente constituída era utilizada para dar aparência de legitimidade às negociações.
Os pacotes eram divulgados pelas redes sociais. Os clientes fechavam negócio, assinavam contratos e faziam o pagamento. O problema, em muitos casos, só aparecia quando a data da viagem se aproximava.
Uma das vítimas citadas na investigação teve prejuízo de R$ 8.738,20.
COMO FUNCIONAVA O GOLPE DO FALSO PACOTE DE VIAGEM
Segundo a investigação, a agência anunciava viagens nacionais e internacionais e prometia cuidar da organização, incluindo passagens aéreas, hospedagens e reservas.
O cliente recebia um contrato e efetuava o pagamento integral por Pix. Depois disso, de acordo com a Polícia Civil, os serviços contratados não eram providenciados.
Nenhuma passagem era emitida e nenhuma reserva era realizada. Os contatos das vítimas também passavam a ser ignorados.
A fraude ficava mais evidente perto da data prevista para a viagem, quando os consumidores começavam a cobrar vouchers, bilhetes e comprovantes das reservas.
VÍTIMAS DESCOBRIAM O PROBLEMA PERTO DA VIAGEM
Esse detalhe aumenta o prejuízo provocado pelo golpe.
Além do dinheiro pago pelo pacote, a vítima pode descobrir às vésperas do embarque que não possui passagem ou hospedagem confirmada.
Segundo a apuração policial, alguns clientes procuravam diretamente hotéis e outros prestadores indicados no pacote e descobriam que não havia reserva registrada.
Por isso, não espere a semana da viagem para confirmar os serviços. Depois da compra, verifique diretamente com a companhia aérea, hotel e demais fornecedores se as reservas realmente existem.
CONTRATO E EMPRESA REGISTRADA NÃO ELIMINAM O RISCO DE GOLPE
O caso chama atenção porque não se tratava apenas de um perfil anônimo oferecendo viagens pela internet.
Segundo a Polícia Civil, uma empresa formalmente constituída era usada nas negociações, e os clientes chegavam a assinar contratos antes de pagar.
Isso reforça uma orientação importante. Ter CNPJ, perfil em rede social ou contrato não deve ser a única verificação feita antes de entregar o dinheiro.
O consumidor precisa conferir também se a agência está regularizada para atuar no setor turístico, pesquisar seu histórico e confirmar cuidadosamente os dados utilizados na cobrança.
COMO VERIFICAR UMA AGÊNCIA ANTES DE COMPRAR UM PACOTE
Uma das primeiras consultas pode ser feita no Cadastur, sistema oficial do Ministério do Turismo.
O cadastro é obrigatório para agências de turismo e permite ao cidadão consultar prestadores regularizados.
A pesquisa deve ser feita diretamente no Cadastur, sistema oficial do Ministério do Turismo.
O Ministério do Turismo recomenda essa consulta como uma das camadas de segurança antes da contratação. O próprio órgão ressalta, porém, que estar no Cadastur não substitui outras verificações sobre a procedência e a reputação da empresa.
Também vale conferir nome empresarial, CNPJ, atividade e localização e comparar essas informações com os dados apresentados no site, nas redes sociais e na cobrança.
GOLPE DO FALSO PACOTE DE VIAGEM PODE COMEÇAR NAS REDES SOCIAIS
O Ministério do Turismo recomenda atenção especial aos perfis que oferecem hospedagens, passeios e pacotes pelas redes sociais.
Alterações discretas no nome do usuário, contas recentes, grande quantidade de publicações feitas em pouco tempo e comentários bloqueados são alguns sinais que merecem atenção.
Preço muito abaixo daquele encontrado em outras empresas também deve ser investigado antes do pagamento.
Não tome uma decisão apenas porque o anúncio informa que a promoção termina em poucos minutos ou que restam poucas vagas.
ANTES DE FAZER O PIX, CONFIRA QUEM VAI RECEBER
Se a contratação terminar com um pedido de Pix, confira cuidadosamente os dados exibidos antes de confirmar a transferência.
O Ministério do Turismo recomenda verificar se o pagamento será destinado à empresa contratada, e não a um terceiro desconhecido.
Se o nome apresentado pelo banco for diferente daquele esperado, interrompa o pagamento e confirme a cobrança diretamente com a empresa por um canal independente.
O Antes de Clicar mantém um guia com sinais de alerta que devem ser observados antes de fazer um Pix.
CONFIRME PASSAGEM E HOTEL LOGO DEPOIS DA COMPRA
Não basta receber uma imagem, um PDF ou um suposto voucher pelo WhatsApp.
Entre em contato com a companhia aérea e verifique se a passagem foi realmente emitida. Faça o mesmo com o hotel, pousada, empresa de transporte e outros serviços incluídos no pacote.
Ao receber um localizador de voo, procure confirmá-lo diretamente nos canais oficiais da companhia aérea.
No caso da hospedagem, entre em contato utilizando telefone, site ou perfil oficial encontrado por você, e não apenas o contato encaminhado pela agência.
Quanto mais cedo uma inconsistência for descoberta, maior será a possibilidade de agir antes da data da viagem.
PROMOÇÃO BOA DEMAIS EXIGE UMA SEGUNDA VERIFICAÇÃO
Pacotes turísticos podem ter descontos legítimos. O problema está em transformar o preço baixo no único critério para decidir a compra.
Compare a oferta com valores cobrados por outras empresas para o mesmo destino, período e padrão de hospedagem.
Uma diferença muito grande de preço, especialmente acompanhada de pressão para pagamento imediato, merece cautela.
A mesma lógica vale para outras compras feitas pela internet. O Antes de Clicar já explicou como identificar sinais de uma promoção falsa antes de comprar online.
POLÍCIA DIZ QUE CASO VAI ALÉM DE DESCUMPRIMENTO DE CONTRATO
Um ponto importante da investigação é a diferença entre um problema comercial e uma fraude praticada desde o início da negociação.
Segundo a Polícia Civil, as provas reunidas, entre elas contratos, comprovantes de pagamentos e a repetição do comportamento com diferentes vítimas, indicam que os serviços eram vendidos quando já existiria a intenção de não prestá-los.
A Justiça decretou a prisão preventiva da investigada diante, entre outros fundamentos, do risco de repetição dos delitos.
Até a última atualização das informações consultadas para esta reportagem, o caso seguia sob investigação.
CAIU NO GOLPE DO FALSO PACOTE DE VIAGEM? GUARDE AS PROVAS
Se você pagou por uma viagem e descobriu que as reservas não existem, preserve imediatamente todos os registros.
Guarde o contrato, anúncios, conversas, e-mails, números de telefone, perfis utilizados nas redes sociais, comprovantes de Pix, recibos, vouchers e documentos enviados pela empresa.
Registre também as respostas dos hotéis, companhias aéreas ou demais fornecedores informando que a reserva não existe.
O Antes de Clicar preparou um passo a passo sobre como denunciar um golpe digital sem perder as provas.
Se o pagamento foi feito por Pix, entre em contato imediatamente com sua instituição financeira. Veja também o que fazer depois de enviar um Pix em um golpe.
GOLPE DO FALSO PACOTE DE VIAGEM: 9 CUIDADOS ANTES DE PAGAR
- consulte a agência no Cadastur;
- confira CNPJ, nome empresarial e dados de contato;
- pesquise a reputação da empresa fora das próprias redes sociais;
- desconfie de preços muito abaixo do mercado;
- não ceda à pressão para pagar imediatamente;
- leia o contrato antes de assinar;
- confira quem receberá o Pix;
- confirme diretamente a emissão da passagem;
- verifique a reserva da hospedagem antes da data da viagem.
VIAGEM COMPRADA PELA INTERNET EXIGE VERIFICAÇÃO FORA DO ANÚNCIO
Uma página profissional, milhares de seguidores, contrato e até uma empresa formalmente constituída podem aumentar a sensação de segurança. Nenhum desses elementos, isoladamente, garante que a viagem será entregue.
O consumidor precisa fazer verificações independentes.
Antes de pagar, consulte a agência em fontes oficiais. Depois de comprar, confirme diretamente com hotéis e companhias aéreas se os serviços foram realmente reservados. Se houver cobrança por Pix, confira o destinatário antes de autorizar a transferência.




